COMO CONTRATAR TALENTOS PARA INOVAR? ESPECIALISTAS COMENTAM.

COMO CONTRATAR TALENTOS PARA INOVAR? ESPECIALISTAS COMENTAM.

Muitas empresas querem inovar, mas nem todas sabem qual é o caminho correto para contratar talentos para suas equipes de inovação ― sejam esses negócios startups ou empresas tradicionais.

Para elucidar essa questão, os executivos Andreia Girardini, Diretora de Pessoas e Cultura do GetNinjas, Bruno Rondani, CEO e fundador 100 Open Startups e João Paulo Pacífico CEO ativista do Grupo Gaia, compartilharam suas experiências sobre contratação de times inovadores em diferentes modelos de negócio, além dos valores éticos envolvidos na busca por capital humano.


Criar raízes ou voar? Como saber se determinado talento é o ideal para uma equipe de inovação em uma empresa?

Para Andreia Girardini, do GetNinjas, o primeiro passo é o contratante entender o motivo pelo qual ele precisa daquela contratação. “Por exemplo, você quer alguém que fique na empresa por bastante tempo, pois será mais tático e operacional, ou você precisa de alguém que seja mais independente e “voe”?”, questiona.

A Diretora comenta que costuma ficar “em cima da mesa” neste assunto, pois tanto acredita que profissionais que ficam pouco tempo nas empresas não conseguem desenvolver algo sólido, quanto defende que pessoas que passam por diferentes lugares têm um campo de visão muito mais ampliado.

“Nós somos frutos das nossas experiências. Quanto mais experiências nós temos, maior é o nosso campo de visão e maior é a nossa empatia com o outro.”


Métodos aprofundados para contratar talentos

É muito comum empregadores sugerirem nas entrevistas de emprego que querem ver o brilho nos olhos de um candidato para saber se devem ou não contratá-lo. De fato, quando existe um alinhamento entre o perfil técnico e o comportamental as coisas ficam muito mais fáceis.

Contudo, para Andreia Girardini, esse método é um tanto simplista, e ainda pode alimentar a problemática da desigualdade social no país.

“No Brasil, apenas 13,6%, dos quadros executivos são compostos por mulheres, e 4,7% por negros. Em compensação, quando você fala de contratação às cegas, você começa a fazer a entrevista por trás da cortina. Você foca no currículo da pessoa por aquilo que ela pode entregar e, ao fazer isso, você traz diversidade para a sua empresa”, diz.

A Diretora ainda explica que em alguns países de primeiro mundo, como a França, por exemplo, a contratação às cegas é lei para empresas acima de 50 colaboradores. 

“A contratação às cegas eleva o nível de produtividade, pois você tira a máscara e conversa com os candidatos como seres humanos”

Andreia Girardini, Diretora de Pessoas e Cultura do GetNinjas


Parcerias relacionais com startups

Projetos maiores envolvem equipes muitas vezes gigantescas, e nem sempre é viável para que uma empresa ou startup faça a contratação de múltiplos talentos um a um. Neste caso, A aquisição de empresas ou junções pode ser a solução ideal para que novas competências sejam agregadas dentro de um negócio.

Bruno Rondani, CEO e fundador da 100 Open Startups cita o exemplo do iFood, que virou um unicórnio, foi buscar no início outras startups para adquirir competência ― no caso a startup Hekima, no início do ano, para terem uma competência e inteligência artificial e criar um grupo maior em cima de uma competência externa. 

A Loft, Nubank e Itaú também adquiram startups como agentes de transformação para trazer novas competências capazes de realizar transformações. 

“Não é possível construir ou criar todas as vezes; então, o que mais acontece é parcerias para criar o novo, que se tornam, também, grandes valores”

Bruno Rondani, CEO e fundador da 100 Open Startups


Cultura de felicidade: papo para inglês ver?

João Paulo Pacífico, CEO ativista do Grupo Gaia, opina que as empresas precisam ter como valor fundamental o foco no ser humano e no impacto positivo no mundo. E este valor, segundo o CEO, precisa ser incremental e nunca da boca para fora. “Quando você olha para os unicórnios de startups, nota que alguns deles realmente devem se importar com as pessoas, mas muitos outros fazem isso da boca para fora. Por exemplo, já ouvi casos de candidatos que ouviram na contratação: ‘Aquela mesa de ping-pong você nunca vai usar’, ou seja, era algo apenas ‘para inglês ver’”, diz. 

Outro problema, segundo Pacífico, é quando a startup está em busca de se tornar um unicórnio, e acaba colocando o dinheiro acima de outras coisas.“O que é importante para ela é se tornar um unicórnio, e não necessariamente ter lucro, ser sustentável ou causar impacto positivo no mundo”, critica.

“Eu sou crítico a alguns modelos. A empresa é unicórnio, mas tem pessoas trabalhando 12 horas por dia de bicicleta para ganhar mil reais por mês. É justo? Quem paga a conta?”

João Paulo Pacífico, CEO ativista do Grupo Gaia

Nestes casos, Pacífico sugere a certificação Sistema B para uma medição efetiva desse perfil humanitário incremental dentro das empresas. O Sistema B, comenta Pacífico, é uma organização não governamental que certifica empresas que querem o melhor para o mundo, desde o lado ambiental, relacionamento com trabalhadores, clientes, fornecedores e a comunidade como um todo. “Você tem que ter lucro, mas não a qualquer custo”, diz, explicando que as empresas B são certificadas e passam por uma auditoria. “Se a gente olhar só para o nosso umbigo, isso gera um colapso. Quando você olha empresas que se importam com o outro e com o planeta, essas empresas certamente serão mais sustentáveis no médio e longo prazo, o que será bom para todo mundo.”

Fonte: Whow! Inovação



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