ALUGO MINHA TESTA PARA PUBLICIDADE.

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(Crédito: Reprodução)

Estou ficando maluco. E dessa vez não é por causa da pandemia. Fazer marketing no mundo digital não é moleza. Quando o discurso de “personalização em massa” desce para a realidade, a vida dos comunicadores vira um caos.

Não sei mais explicar como se executa uma campanha. Em uma rede social, temos que usar vídeos verticais curtos com dancinha. Em outra, é ideal o formato quadrado com legenda, porque ninguém liga o áudio. Mas agora tem a moda dos podcasts, que são puro “som bem trabalhado”. Ainda tem aquele post que some em 24 horas e precisa ter botões de interação.

O presidente mandou perguntar por que somos a única empresa que não está criando um bonequinho para interagir com os consumidores no SAC. O time global recomendou usarmos mais emojis. Um fornecedor me jurou que o futuro está nas assistentes de voz. E a capa do jornal é sobre o crescimento explosivo dos “super apps”.

Por que paramos de mandar e-mail marketing se ainda tem tanta empresa fazendo? Você tem certeza de que notificações no celular são melhores que mensagens no direct? E por que eu continuo recebendo SMS? Devemos postar conteúdo orgânico sabendo que o algoritmo não mostra para ninguém? Como fazer para que a nossa marca apareça apenas em contextos positivos, mesmo quando compramos por programática? E o que fizemos de errado para cair tanto no volume de buscas? Será que é porque não usamos hashtags?

Meu sobrinho está estudando publicidade e disse que a solução está em pivotar, investir em live commerce, falar com startups de inteligência artificial, fazer testes A/B, instant marketinggamification, bots ou produzir memes. Tudo com muito propósito. Porque as marcas precisam sempre ter um ponto de vista sobre as causas sociais do momento.

E todo dia aparece alguém para me oferecer um “negócio irrecusável”, colocando a minha marca na testa do avatar do novo jogo que vai ser febre ano que vem e que vai me dar um “custo por impacto” nunca antes experimentado.

Que doideira é essa? Parece que os antigos 4 Ps do Kotler viraram 4 mil abecedários completos.

Está difícil acompanhar. Mas não vim desabafar. Na verdade, tudo isso é muito divertido. É como se soubéssemos pintar apenas com giz de cera e de repente descobríssemos que agora existe tinta a óleo, guache, carvão, lápis de cor, spray e verniz. E a combinação entre eles. Um mundo novo de possibilidades para encantar as pessoas com a nossa “arte”.

De uma coisa tenho certeza: marqueteiros não precisam de novos lugares para imprimir seus logotipos (se isso fosse verdade, até eu estava alugando a minha testa como se fosse um outdoor virtual). O que eles precisam é de ajuda para criar conexões mais profundas entre suas marcas e seus clientes. Precisam despertar interesse, convencer, mudar percepções, criar preferência. Mesmo em um contexto digital.

Nunca foi só sobre comprar “olhadas” dos clientes. Sempre foi sobre fazer as suas pupilas dilatarem diferente.

Por trás de cada marca mencionada nos trending topics tem sempre um time de comunicação se lascando. Seja por uma coisa legal que viralizou ou por um boicote virtual. Mas essa galera está aprendendo muito. Decifrando o marketing do futuro. Fazendo um curso prático que vale mais que qualquer MBA.

No meio desse curso intensivo, lembrei do tempo que era “só” fazer uma festa do pijama no Big Brother para o resultado disparar. Ops… e não é que essas coisas também continuam funcionando quando são benfeitas? Mas elas ficaram ainda mais legais agora que podemos conversar sobre isso nas redes, colocar um QR code na tela e mandar produtos para as casas dos espectadores no mesmo instante.

Já deu para perceber que não é simplesmente colocando logo na testa de alguém que construímos “top of mind”.

Fonte: artigo de João Branco, CMO do McDonald’s Brasil, publicado em Meio & Mensagem



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