SÍNDROME DE BURNOUT: COMO LIDAR COM O MAL DO SÉCULO?

SÍNDROME DE BURNOUT: COMO LIDAR COM O MAL DO SÉCULO?

O tempo em que ser considerado workaholic era motivo de orgulho ficou para trás. Nos últimos anos, temos visto cada vez mais gente em busca do tão sonhado equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O interesse tem fundamento: histórias de pessoas que sofrem com o esgotamento físico e mental relacionado ao trabalho se tornaram comuns, e acenderam o alerta sobre a importância de se “pisar no freio” em algumas situações. Mesmo assim, a Síndrome de Burnout é considerada o mal do século.

O burnout é um quadro psicológico que pode surgir como decorrência de um período longo de estresse associado ao ambiente de trabalho. “Como principais características, temos uma sensação de esgotamento físico e mental, uma forte perda de interesse e engajamento nas atividades de trabalho e a presença de sentimentos negativos também associados ao trabalho, o que muitas vezes explica padrões de presenteísmo e até mesmo absenteísmo”, explica a neurocientista e sócia da Nêmesis, Ana Carolina Souza.

Segundo ela, pessoas que têm um quadro de Burnout apresentam alterações no comportamento, como maior irritabilidade, sintomas depressivos, ansiedade, baixa autoestima, dificuldade de concentração e comportamento pessimista. Em alguns casos, os sintomas chegam a ser físicos, como dores de cabeça constantes, enxaqueca, palpitação, pressão alta, tensão muscular, insônia, problemas gastrintestinais, gripes e resfriados recorrentes.

Ana Carolina diz que nosso estilo de vida atual acaba favorecendo a ativação da nossa resposta ao estresse de forma muito mais frequente do que seria o ideal, gerando um padrão de sobrecarga. “O excesso de cobranças, a busca por metas cada vez mais ousadas, o excesso de informações e o medo do julgamento social – potencializado pelas redes sociais – são alguns exemplos de fatores que podem favorecer esta percepção de sobrecarga”.

Antes mesmo da pandemia – que virou o modo de trabalho de cabeça para baixo – a Síndrome de Burnout já era considerada um dos assuntos mais relevantes para gestão de pessoas em 2020. Para se ter uma ideia, uma pesquisa da empresa Talenses com mais de 1.400 profissionais no Brasil revelou que 44% deles já haviam sofrido pelo menos um episódio da síndrome. Outros problemas relacionados ao estresse, como ansiedade e depressão, também foram citados pelos entrevistados.

A explicação para a crescente preocupação das empresas com o assunto é simples: além de afetar a saúde dos colaboradores, o Burnout prejudica também a saúde dos negócios, afinal, trabalhadores esgotados rendem menos. O cenário que já era preocupante foi agravado pela pandemia, e apesar de o interesse pelo tema ter crescido, poucas pessoas de fato compreendem o que está por trás da Síndrome de Burnout. Ana Carolina diz que, ao compreender a origem do problema, é possível desenvolver estratégias para dar suporte emocional às equipes de forma preventiva. “Vale ressaltar que situações de estresse são inerentes ao ambiente corporativo, porém, quando mal gerenciadas, acabam trazendo prejuízos diretos e indiretos para os indivíduos e para a própria empresa”, destaca.

A neurocientista reforça que o conhecimento dos gestores sobre o assunto é fundamental para prevenir episódios de Burnout nas empresas. “Ao perceber que algum dos colaboradores pode estar sob grande pressão, sobrecarregado, ou desenvolvendo uma possível frustração associada ao trabalho, é importante buscar formas de reverter o cenário e assim evitar um desgaste maior”.

Para isso, ela sugere investir em dinâmicas e treinamentos que criem momentos de relaxamento, que ajudem a equilibrar a resposta ao estresse. Investir no senso de pertencimento e no bom relacionamento na equipe, segundo ela, também são abordagens interessantes. “Somos animais sociais, e nutrir relações de confiança e suporte mútuo é importante inclusive no trabalho. É essencial que a empresa tenha um diagnóstico do seu ambiente e, a partir disso, desenvolva um plano de ação que seja simples, porém eficiente”, conclui.

Fonte: Consumidor Moderno



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