EM BAIXA, PROPAGANDA ELEITORAL CAUSA DESINTERESSE NO PÚBLICO

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O horário eleitoral gratuito está em baixa entre o público. Segundo a pesquisa DataTempo/CP2 mais recente para a disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, contratada pela Sempre Editora, quando perguntado em qual meio o entrevistado usa para se informar sobre os candidatos, o horário eleitoral gratuito foi o terceiro mais apontado, com apenas 6,9% dos votos, empatado com o item conversas informais. Neste ano, o programa eleitoral está sendo exibido em rádio e TV aberta desde o dia 9 de outubro, e vai até o dia 12 de novembro.

Instituído pela Lei 4.737, de 15 de julho de 1965, que criou o código brasileiro eleitoral, o horário eleitoral gratuito é transmitido hoje com novas regras, já que a propaganda não é exibida em apenas uma única faixa, e sim fragmentada ao longo de todo o dia, entre rádio e TV.  

Os blocos maiores, de dez minutos cada, ainda são exibidos em dois horários, à tarde e à noite. Outros 70 minutos são das chamadas inserções, entradas menores de 15 segundos a um minuto.  

Porém, de acordo com as recentes pesquisas eleitorais, os resultados para as disputas em todo o país mudaram muito pouco após a transmissão do horário eleitoral gratuito, nas eleições de 2018, e agora em 2020.  

Segundo Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec, em plena era digital, existe um desinteresse do eleitor para os formatos da atual propaganda política.  

“O horário eleitoral gratuito está ficando cada vez mais peça do século XX. Vivemos em uma era digital de redes sociais e smartphones. Inclusive, emissoras de TV e rádio, além dos jornais, estão migrando para essa plataforma. E hoje é cada vez maior o número de pessoas que não assistem mais os canais tradicionais de TV”, disse o professor.  “Não há mais razão para manter a propaganda eleitoral gratuita. O eleitor não se mobiliza mais em torno disso, os partidos já possuem dinheiros de fundo público, então não justifica mais ter esse gasto do contribuinte por propaganda que não tem gerado efeito. É preciso deixar que o próprio candidato, ou os próprios partidos inovem, busquem formas de chegar até o eleitor, sem ter esse tipo de ‘empurrão’”, complementou.  


Relevância 

Já para o cientista político Róbson Sávio, coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, o horário eleitoral ainda tem um papel importante na sociedade, mas distante do efeito causado pelas redes sociais.  “O horário eleitoral leva uma comunicação de forma gratuita para toda a população. Então, obviamente, algumas pessoas ainda se referem ao horário eleitoral para ter conhecimento de que alguns candidatos estão concorrendo. Mas isso tem a ver com o caso das grandes cidades que possuem as emissoras de rádio e TV”, apontou.  

“Continuo pensando que hoje o melhor meio de propaganda eleitoral são as redes sociais e os grupos de WhatsApp, em termos de eficiência e efetividade. Dentro desses grupos e dessas redes, os grupos mais herméticos, o que chamamos de bolhas, são aqueles que acabam sendo mais efetivos”, afirmou Sávio.  

“Vemos isso muito ligado a grupos religiosos, grupos militares, grupos altamente ideológicos, que acabam transformando as redes sociais em espaços muito fechados e com uma grande capacidade de transmissão de informação sobre os candidatos que representam aquele grupo. A inserção dessas pessoas passa por questões muito além da racionalidade. Fé, crenças e ideologias, e isso acaba sendo elemento fundamental para a difusão e adesão a essas novas candidaturas”, completou o cientista político.  


Excesso de regras limita os formatos para a TV 

De acordo com o gerente de programação, radialista e produtor Rodrigo Scoralick, o tempo reduzido da TV e suas limitações foram fundamentais para o horário eleitoral gratuito perder o seu espaço perto de outros meios de comunicação.  “O horário político produzido para a TV ficou esvaziado por causa do tempo limitado, e por ter muitas regras. Libras, subscrição, não pode fazer externas, são muitas obrigações”, apontou. Para ele, a internet, com sua capilaridade maior e com a possibilidade de atingir o público-alvo é muito mais eficaz.  

“Não tem regra, não tem hora, não tem tempo. A internet dá a liberdade de postar, um, dois, quatro vídeos por dia, ou quantos conseguir produzir. Já na TV, é um vídeo de dois minutos, com todas essas regras”, avaliou.  

“Um candidato com o foco de eleitores na região Leste, manda os conteúdos para a região Leste, enquanto na TV vai para a cidade inteira. A capacidade de assertividade da internet fez com que ela ficasse muito mais eficaz para o candidato”, complementou.


Baixarias afastaram audiência da tela 

Muitas vezes o horário eleitoral deixou de ser um instrumento de informação do candidato para se tornar espaço para ataques aos oponentes. Muitos foram para o ar com intuito de difamar o candidato rival com acusações de racismo e até ideologia de gênero.  

Foi o caso de Marta Suplicy em 2008, então candidata do PT à prefeitura de São Paulo, que fez insinuações quanto a vida privada de Kassab, que era do DEM. Ou quando Heloísa Helena, então no PT, enviou representação à Justiça Eleitoral questionando “conduta sexual atípica” da adversária Kátia Born, que estava no PSB, em 1996.  

Para Marco Iten, coordenador de campanhas eleitorais por mais de 30 anos, a culpa da baixa audiência nos horários eleitorais está na falta de credibilidade passada pelos próprios políticos e por episódios como os citados, tratado pelo consultor como “circo de horrores”.  “A rejeição ao horário eleitoral é culpa desse mundo político que colaborou imensamente para a perda de credibilidade. O formato engessado das propagandas eleitorais não inova, não atrai e não gera credibilidade aos possíveis espectadores”, avalia. “Hoje a família já não se reúne em volta da TV. Uma quantidade muito grande da população não vê a TV com interesse”, completou. 

Fonte: O Tempo



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