Alta liderança adere à IA, mas ainda tem dificuldade para obter insights

Levantamento da IBM mostra que CEOs no Brasil enfrentam desafios na gestão de dados, mas confiam em informações internas como principal fonte para a tomada de decisões

Ainda que a inteligência artificial (IA) esteja sendo amplamente integrada aos negócios, o cenário traz desafios. É o que mostra novo estudo global do IBM Institute for Business Value, CEO decision making in the age of AI, Act with intention, que tem como foco entender como executivos e CEOs vêm comportando-se frente à ascensão da IA generativa.

Os dados referentes ao Brasil foram apresentados nessa quarta-feira, 16, por Marcelo Braga, CEO da IBM Brasil, durante o evento Think São Paulo 2023. A pesquisa indica que 41% dos líderes brasileiros têm dificuldade de identificar insights a partir dos dados com os quais trabalham. A média global é de 40%. Ao todo, foram ouvidos mais de 3 mil CEOs de 24 indústrias em mais de 30 países. Entre os desafios, destacam-se também cálculos pouco claros (44%).

Um fato é de que a confiança na tecnologia é alta: 76% dos CEOs que atuam no País confiam nos dados operacionais internos das empresas como principal fonte de informação para tomada de decisões a nível estratégico. De acordo com Braga, com a explosão do tema, há uma demanda maior por parte das empresas em empregar a tecnologia para ter melhores processos, mais escala e custo benefício em prol dos negócios.

Outro desafio identificado é a aproximação entre dados e liderança. Segundo o estudo, 71% da alta liderança acredita que o principal fator para o salto de gestão é diminuir ou eliminar distância entre dados e tomadores de decisão. O resultado revela que os dados ficam concentrados em áreas e profissionais mais técnicos, ainda distantes dos tomadores de decisão das companhias.

E há potencial: 60% consideram tecnologias como computação em nuvem e IA (56%) como pilares fundamentais para a conquista de melhores resultados nos próximos anos. Entre todos os países, 75% dos CEOs acreditam que a vantagem competitiva vai depender de quem tem mais IA generativa avançada. Além disso, metade deles já integram a ferramenta em produtos e serviços, enquanto 43% a utilizam para tomar decisões.

Nos próximos três anos, a modernização tecnológica é prioridade para 53% dos líderes nacionais. Compõem a lista segurança cibernética e privacidade de dados (49%) e produtividade (44%). Contudo, para o próximo triênio, os desafios identificados deverão ser: sustentabilidade ambiental (43%), cibersegurança e privacidade de dados (33%) e modernização tecnológica (28%).

Formação tecnológica

Entre as dificuldades para a evolução, o mercado encara uma deficiência de qualificação, mindset, processos e cultura voltada para a IA. “Não dá para construir a corporação do futuro com os talentos do presente”, afirmou o executivo. Nesta nova era, é preciso curiosidade, profundidade e complexidade para saber fazer as perguntas certas.

A especialização vem ganhando cada vez mais influência. O estudo mostra que 34% dos CEOs brasileiros apontam os CIOs e 27% indicam que os diretores de tecnologia ou diretores digitais são os que tomam as decisões mais importantes em suas organizações. “Hoje vemos vários executivos querendo entender mais de dados, IA, até para ter sua percepção, saber, questionar e demandar de forma correta”, endossou Braga ao Meio & Mensagem sobre a demanda de formação para alta liderança e board.

WatsonX

O Watson, IA lançada pela IBM, recebeu recentemente uma ferramenta para potencializar seu uso inédita. A nova plataforma de IA e dados, watsonx, oferece novas possibilidades para clientes escalarem a tecnologia a partir de diferentes recursos.

A primeira delas, watsonx.ai studio, é voltada para novos modelos fundacionais, IA generativa e aprendizado de máquina. Já a watsonx.data chega para o para armazenamento com a flexibilidade de um data lake e o desempenho de uma warehouse de dados. Por fim, a watsonx.governance consolida-se como um kit de ferramentas para ajudar a habilitar fluxos de trabalho de IA a serem construídos com responsabilidade, transparência e explicabilidade.

Em termos de parcerias, a companhia anunciou que o watsonx vai hospedar o modelo de 70 bilhões de parâmetros da Meta Llama 2 – chat no watsonx.ai studio. De acordo com a IBM, a união deve construir inovação aberta para IA, inclusive com trabalhos trabalhos com projetos de código aberto desenvolvidos pela big tech de Mark Zuckerberg.

Para a IBM, o Brasil é um país relevante no cenário global da adoção e da inteligência artificial. Ao todo, já foram implementados mais de 400 projetos junto a clientes, via IBM ou parceiros. O impacto é “expressivo”, nas palavras do CEO, em termos de interação, automação e atendimento mais sofisticado.

Fonte: Meio e Mensagem



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