COMO SER OTIMISTA NOS DIAS DE HOJE – E CONVENCER SEU TIME A SER TAMBÉM.

Para falar do novo perfil de liderança que surge no pós-pandemia, e do otimismo como catalisador deste novo momento, Maria Laura Neves, redatora-chefe da Vogue, reuniu Betânia Tanuri, sócia fundadora da Betania Tanure Associados; Rachel Maia, conselheira administrativa e CEO da RM Consulting; Nina Silva, CEO e fundadora do Movimento Black Money e D’Black Bank; e Catherine Petit, diretora geral da Moët Hennessy do Brasil, para discutir, na mesa sobre otimismo do Vogue Negócios, como, em um cenário incerto, notícias difíceis diariamente, fazer para manter o otimismo. “Foi difícil para nós esse processo pandêmico, em casa e para todos os brasileiros. Perdi pessoas muito queridas. Mesmo assim, não podia deixar a peteca cair. Nesse processo, mudei de emprego, fui para um desafio completamente empreendedor. Gerei 25 novos empregos, assumi 4 novos conselhos nesse período. Então eu acho que está desafiador sim, mas não está impossível. Lá em casa, meus pais nos ensinaram a ver o copo meio cheio, sempre”, dividiu Rachel. 

Nina completou: “Quando a gente fala de otimismo, a gente fala da realidade da necessidade de fazer. Já atuamos na adversidade. A maioria é empreendedora no Brasil por necessidade, poder empreender dentro de uma oportunidade infelizmente não é maioria. A maioria empreende por subsistência. Então, não é porque você não tem acesso à dinheiro para implementar novas tecnologias no seu negócio que você não vai ser inovador ou inovadora, tudo isso já acompanha o empreendedor brasileiro, negro ou não. Mas quando a gente fala de nós mulheres negras, a gente fala exatamente com essas pessoas que vão empreender porque não tem um emprego, porque a renda principal não é suficiente.”

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Betania Tanure

(Foto: Divulgação)

Para Betania, estudiosa das lideranças no Brasil, o papel do otimismo da liderança na crise se faz muito mais forte e muito mais necessário. “Aliás, na crise a gente reconhece se a pessoa é líder de fato ou não”, defende. “O líder na crise tem algumas âncoras que são fundamentais: a primeira é o seu propósito – propósito de vida, da organização, em relação ao País, que na verdade tem segurado muito esse momento de tanta tristeza, ansiedade e incerteza. E nesse sentido, a liderança é responsável por trazer uma visão de futuro. É possível ter um futuro melhor”. emenda. “E essa luz que se coloca na vida das pessoas aciona a esperança, no sentido de encontrar soluções para o bem comum. Essa crise acionou nas pessoas a possibilidade de fazer algo de fato para construir o bem comum. Então, eu sou uma super otimista de como a gente pode sair dessa crise – depende fundamentalmente de nós. Nós conseguimos criar condições para sairmos cidadãos melhores. Pessoas melhores”, arremata.

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Catherine Petit

(Foto: Divulgação)

E o que muda com essas novas demandas? Segundo Catherine, que chegou há um ano e três meses no Brasil para o cargo de diretora geral da Moet Hennessy, e a pandemia ja havia começado, “eu vivenciei tudo e reparei que em termos de liderança, e das pessoas que gerencio, é de muita importância que as pessoas sejam ouvidas. Com a situação de crise, de estarem isoladas, as pessoas precisam muito disso”, argumentou. “Tambem acredito em trabalhar de uma forma mais transversal. Sair um pouco do dia a dia do que as pessoas fazem para se posicionar, dar outras oportunidades. Temos que incentivar nas empresas, que se torne um projeto de empresa, valores de inclusão e compartilhamento, e vários projetos que vem de encontro com o que as pessoas estão esperando”, concluiu Catherine.

Rachel Maia

(Foto: Divulgação)

Rachel completou ainda: “A complementariedade vem através das ações. O diverso do gênero é porque tem mulher muito boa por aí; o diverso da raça é porque tem muito preto e pardo muito bom por aí, o diverso do PCD é porque tem muito PCDs a quem não foi dada a oportunidade além da lei que exige o teto máximo de 5%, tem muito talento por aí. Se abrir para esse universo que foi minimizado e se abrir para a oportunidade que está sendo gerada para que possamos inovar é caminho sem volta. O corporativismo está tentando entender e desconstruir e construir de novo. É isso que estamos fazendo, as empresas estão abertas a desconstruir. Mulheres líderes mostram isso, que ao compartilhar, complementar, podem fazer um business tão bom ou melhor.”

Betania trouxe números bastante importantes para a conversa. “A gente fez uma pesquisa, publicada na Harvard Business Review, que mostra que o perfil típico do líder brasileiro pré-pandemia: 68% com características de gestores, competitivos, com competências de negócios. 15% com competências de liderança, de apoio e suporte. 10% que não são reconhecidos com nenhuma das 2. E 7% que tem as duas, mais objetiva e subjetiva, equilibradas – e dentre esses, 5% são líderes com características de estadistas. Aqueles que de fato agem pensando no bem comum, no bem da sociedade”, contou. “Mas a pandemia está fazendo essa liderança a força desenvolver duas características: as competências mais soft e as competências enquanto líder estadista. Aqueles que não desenvolverem essas competências estarão fora do mercado”, aposta. “Porque no momento de crise, sanitária, antropológica, afetiva, os líderes tem apenas duas funções: uma delas é mudar o fluxo natural, numa crise, num momento de ruptura como esse; e o segundo é de ser um redutor da ansiedade. As pessoas estão tristes, ansiosas, isso é ruim para a pessoa e para a empresa, no nível individual e organizacional.”

Nina Silva

(Foto: Divulgação)

Trazendo mais estatistica, Nina acredita que o empreendedorismo tem que ser mais empático, com mais escuta. “A gente tem que entender que as pequenas e médias empresas são responsáveis por quase 80% dos empregos que nós temos no Brasil. Nós estamos na era dos líderes que vivenciam o seu negócio, e mais que isso, estão juntos dos seus colaboradores e entendem que a empresa é um stakeholder a mais dentro de um ecossistema. Acredito na liderança que age sobre mudanças e não sobre conformidade. Se a gente lida com conformidade, é porque a gente está atrasado”, defende. “Estávamos sendo comandados por dinossauros que não tinham ideia que essa era ia surgir. E quem tinha dinheiro no bolso conseguiu transformar, quem não tinha ficou ali obsoleto. Quando a gente fala desses empreendedores que não tem acesso a esse dinheiro, são empresas mais enxutas que conseguem se adaptar mais facilmente a esse momento. São pessoas que já vivenciam uma horizontalidade em seu time, que tem escuta ativa.”

Para finalizar, Maria Laura pergunta: por quais mudanças a sociedade ainda precisa passar? “Tem muitas coisas para conquistar ainda mais no Brasil. A sociedade está se tocando cada vez mais dessa necessidade e precisamos incentivar isso. Tem duas maneiras de fazer: incentivar a possibilidade de se manifestar, estamos buscando cada vez mais inclusão. Mas também a gente trabalha muito em treinar as pessoas para abrirem suas mentes. Tem formas de ver e pensar que tem que mudar, e a gente tenta treinar para isso. Muitas mulheres estão percebendo que podem fazer a mudança e tem muitos homens apoiando esse movimento também. Tem que questionar, ouvir e apoiar.”, acredita Catherine.

Nina defende que temos de mudar nossos contratos sociais. “As empresas que não se adequarem realmente não estão sendo inovadoras. Como a gente pode mudar o centro de poder? O poder foi tomado ao longo da história por medidas muito violentas, como a gente reverte esse jogo, e coloca todo mundo para dialogar, e dá intencionalidade de ação para grupos que foram deixados de fora por tanto tempo? A gente está falando de direitos humanos, de influência, de comunicação,  precisamos mudar esse pacto social, nas empresas públicas e privadas”, explica. Rachel tem a mesma opiniao: “estamos nos posicionando para nos tornarmos inclusivos. Não basta não ser, temos de nos posicionar, senão vamos deixar tudo como está e não serve”, comenta. Betania conclui: “União é uma palavra chave. Tem que ser a essência de uma sociedade. Ou você é parte da solução, ou do problema. Cada um de nós, tem de fazer parte da solução. A solução está, também, na nossa mão. Essa ação cidadã faz parte do líder emergente.”

Fonte: Vogue



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