A COMPLEXA CIRANDA DA INFLUÊNCIA.

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“Com tanta influência negativa, está difícil se manter otimista.”, ouvi em uma conversa dias atrás. 

 É fato: a piora da pandemia no país, as mais de 450 mil mortes (e tudo que elas simbolizam) aliadas à desconfiança generalizada nas instituições e as más notícias econômicas são motivos mais que legítimos para o pessimismo. 

Então, a partir do insight dessa conversa, refugiei meus pensamentos nas palavras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, considerado o pai do pessimismo. Ele, entendedor desse sentimento avassalador, em sua última obra, deixou como parte do seu vasto legado a seguinte reflexão: “Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê”.

E, atualmente, algo que todo mundo vê, é o complexo poder e papel da influência em nossa sociedade, negócios e marcas. Influência é um tema que perpassa diversas áreas como inovação, comportamento, persuasão, retórica e consumo.   

Influência na forma de notícias que formam nossa percepção, concepção de riscos, sonhos, medos, expectativas e ansiedades. Influência na forma de retórica e persuasão necessárias para as negociações, pitchs e projetos. Influência na forma do marketing de influência como uma indústria que cresceu fortemente nos últimos cinco anos e, hoje, é valorada em 8 bilhões de dólares (aliás, pesquisas especializadas em marketing de influência apontam que 59% dos profissionais de marketing planejam aumentar seu orçamento de influenciadores e 17% estimam investir mais da metade de seu orçamento nesse tipo de marketing; espera-se que os gastos das grandes marcas com influenciadores aumentem para US$ 15 bilhões até 2022). 

O poder da influência está por toda parte (e nem estamos refletindo aqui sobre manipulação, definitivamente, outro departamento de intencionalidade). A proposta é discutir a Influência e suas nuances, desta para Inspiração e a relevância desses recursos para nossa jornada de vida e nossos negócios (especialmente quando o assunto é inovação). 

Mas, para pensar influência de uma forma diferente (e como estamos lidando com ela) é importante dar alguns passos para trás para ganhar perspectiva. 

Muitas vezes, influência e inspiração são usadas como sinônimos quando, na verdade, existe uma intersecção entre essas duas palavras, mas também algumas diferentes nuances entre elas.

A intersecção está no fato de que, tanto a inspiração quanto a influência, movem emoções dentro de nós. E a diferença está, justamente, no propósito e no resultado esperado dessa movimentação.  

Algo que nos inspira —como um livro, um filme, um quadro ou a ideia de alguém— se conecta com algum tipo de emoção individual e gera um estímulo de criação, uma iluminação que nos move para a construção de algo novo, sob uma nova perspectiva. 

A inspiração nos eleva, nos alimenta com esperança, gera essas novas ideias e nos dá a sensação de possibilidade.

Já a influência tende a exercer uma força diretiva e específica para provocar determinada emoção que leva à adesão ou a mudança de um comportamento. A influência faz as coisas acontecerem, mas ela é também, docilmente maliciosa, porque exerce poder direto sobre o processo de criação e sobre o resultado alcançado.

É importante também lembrar que influência está bastante relacionada à retórica e a capacidade de persuasão, e que ambas, em suas técnicas, se utilizam da ancoragem na visão de mundo do outro (que geralmente é uma audiência, mas também pode acontecer na dinâmica do indivíduo) para gerar identificação e aceitação.

Para entender a dinâmica da influência sob as lentes da persuasão, o caminho mais natural é retornar à Grécia antiga e aos postulados do filósofo grego Aristóteles, considerado o pai da retórica. Ao filosofar sobre persuasão, no contexto do berço da democracia, ele identificou a tríade da influência – Logos, Ethos e Pathos – e como os oradores bem-sucedidos da polis (das cidades gregas) apelavam para um desses aspectos, ou até mesmo os três juntos.

Numa rápida simplificação – Logos, se refere à lógica do que está sendo dito; Ethos, apela para o caráter e a credibilidade do orador. E, finalmente, Pathos, a emoção causada em que ouve. A aplicação dessa tríade, apesar de totalmente válida nos tempos modernos (com as devidas adaptações de contexto, é claro) pode ser questionada quando se conhece o conceito de viés.

Mas, retornando às emoções, que a meu ver representam a intersecção entre inspiração e influência como comentei há pouco, vale a referência a um dos trabalhos mais interessantes de Aristóteles (e que milhares de anos depois ainda é incrivelmente atual): o livro Retórica das Paixões. 

Nesse estudo, o filósofo define 14 grandes paixões do ser humano, como por exemplo, cólera, calma, amor e ódio, a vergonha e a imprudência, a compaixão e a indignação, e assim por diante; e indica como, quando o assunto é influência e persuasão, as emoções são protagonistas.

E, por fim, nessa complexa ciranda, não se pode desconsiderar a relação de influência e relevância que, especialmente hoje, na era dos likes, é bastante distorcida. 

Inovar, cada vez mais, dependerá da capacidade de articulação entre influência, inspiração e relevância (e não à toa, o tema está na pauta das lideranças e mentes inovadoras). 

Portanto (e voltando a Schopenhauer “… para pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê”), em um momento difícil e de pessimismo no ar, que tal avaliar como anda a ciranda da influência no seu plano de negócio e de vida? 

Fonte: Whow! Inovação



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