| Sexta-feira, 27 de Julho de 2012 |
| Gustavo Greco, ganhador do Leão de Bronze para Minas Gerais no último Festival de Cannes, fala sobre a exepriência de participar do evento |
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O designer Gustavo Greco acaba de voltar do Festival de Cannes, realizado no mês de junho, com um Leão de Bronze na bagagem. Foi o primeiro Leão de Minas Gerais na categoria Design, e também o único recebido pelo Estado na premiação deste ano. Para o Gustavo, que está à frente da Greco Design, mais do que a emoção do prêmio, valeu a sensação de perceber que Cannes é realmente um evento democrático. Como dirigente regional da Associação Brasileira das Empresas de Design - Abedesign, principal entidade do setor, Greco afirma estar diante do desafio de tentar dar expressão ao trabalho feito em Minas Gerais. “Pretendo ajudar a promover a união entre as empresas de design de Minas Gerais e criar um grupo forte, com representatividade e relevância em todo o País”, afirma. Estes e outros assuntos você confere na entrevista a seguir. Como você se sente após ganhar um leão de Bronze em Cannes? Receber o primeiro Leão de Design de Minas Gerais e o único do Estado este ano foi, acima de tudo, uma honra. A emoção da premiação é indescritível, mas, além disso, foi bom perceber que Cannes é realmente um evento democrático: não importa o tamanho do cliente e sim a ideia. Ter a Greco selecionada no maior evento de criatividade do mundo é uma comprovação de que estamos trilhando um bom percurso. Gosto sempre de dividir todos os créditos com minha equipe, hoje meu maior patrimônio. Espero que esse prêmio sirva de estímulo para que as empresas entendam a importância do design como disciplina criadora de linguagem, identidade e, porque não, lucro. E que ainda venham muitos Leões, nossos e de nossos colegas. Você poderia começar falando um pouco da sua trajetória antes de 2005, quando fundou a Greco Design? Comecei estudando Direito na Faculdade Milton Campos, mas me interessei pelo design no curso de Publicidade e Propaganda da PUC Minas que cursava simultaneamente. Embora eu tivesse acabado de passar no exame da OAB, fiz pós-graduação em Gestão Estratégica de Marketing e pouco depois abri meu primeiro escritório de design junto com Nina Maia e Mariana Hardy, chamado Vitamina D. Essa parceria durou dois anos e em seguida trabalhei com Márcia Larica na Estação Primeira de Design. Foi um período de grande aprendizado, que acrescentou muito na minha formação profissional. Depois disso fui sócio da Designlândia e, em 2005, resolvi seguir meu próprio caminho fundando a Greco Design, que atua principalmente com projetos de identidade visual, sinalização e editoriais. Você poderia falar um pouco da história da empresa, desde seu início até os dias de hoje? Uma grande característica da Greco é que mudamos muito, o tempo todo. Sou inquieto, isso se reflete na minha equipe e evita que nos acomodemos. Gostamos de novas ideias, de tentar novos caminhos, de experimentar. Começamos em 2005, numa sala de um edifício comercial com exatos 67 metros quadrados. Éramos apenas três pessoas: eu, Tidé e Fernanda Monte Mor (que ainda estão comigo até hoje). Os pedidos foram aumentando e sentimos a necessidade de mudar para um lugar maior. Nesse momento, resolvemos criar um espaço coerente com nossa filosofia de trabalho. Para a Greco é importante privilegiar as relações entre as pessoas, dando atenção aos detalhes sem perder a visão do todo. A Greco funciona hoje numa casa dos anos 1950 e não só se parece com uma: o chuveiro é usado de verdade, fazemos almoço e, muitas vezes, depois do trabalho, estendemos nossa estada em uma conversa animada no nosso jardim. Isso tudo contribui para a consolidação de uma atmosfera única, aumentando a atratividade, reforçando vínculos existentes e criando novas experiências. Quais foram os principais clientes e trabalhos da empresa até agora? Somos uma empresa de design e, por via de regra, não trabalhamos com contas fixas (fee). Somos contratados por projetos. Temos a vantagem de estabelecer relações duradouras com nossos clientes, muitos deles estão conosco desde o início e sempre retornam com novos pedidos. Com isso, acabamos trabalhando com uma diversidade grande de clientes, atuantes em áreas diversas: comunicação, engenharia, varejo, educação, cultura. Pra Greco não importa o tamanho do cliente e sim o quanto ele está disposto a acreditar e investir no design. Gostamos de clientes inteligentes (risos). Como foi a experiência de estar entre os delegados do design brasileiro no Festival de Cannes? Foi a primeira vez que participei do Festival de Cannes como delegado. Estar entre os representantes do design brasileiro foi uma grande oportunidade para observar como o design é colocado no maior evento de criatividade do mundo e gostei muito do que vi, do espaço que a disciplina vem conquistando ao longo dos quatro anos de Festival. E não posso deixar de citar os momentos de troca de experiências e diversão que passamos juntos. Como dirigente da regional Minas da Abedesign, como você vê a importância desse trabalho de liderança setorial? É um desafio interessante tentar fazer uma regional mineira expressiva nacionalmente. E, para isso, será fundamental fazer com que as empresas entendam a importância de se associar. O primeiro obstáculo é sempre a pergunta “O que eu ganho com isso?” A resposta é representatividade. Como a Abedesign promove o relacionamento entre as empresas de Design, dando mais visibilidade ao setor no Brasil e defendendo os direitos e interesses coletivos das empresas de Design, é preciso mostrar os resultados dessa união do mercado. Pretendo ajudar a promover a união entre as empresas de design de Minas Gerais e criar um grupo forte, com representatividade e relevância em todo o País. Quais são as principais bandeiras levantadas pela regional mineira da entidade? A Abedesign é uma associação nacional. As bandeiras são as mesmas em todas as regionais, como promover o aperfeiçoamento do mercado, defender os direitos e interesses coletivos das empresas de Design, promover, patrocinar ou apoiar a realização de feiras, mostras, exposições ou seminários no setor, entre outros. Qual o futuro que você antevê para a Greco Design nas próximas décadas? A gente vive muito o hoje e acaba não se preparando para o futuro, concorda? Só agora que a Greco se estruturou. Os cinco anos anteriores foram de investimento, organização dos processos, de testar o que não havíamos feito ainda. Mas viver é estar atento às mudanças. E o que espero para o futuro é aproveitar as oportunidades, o que elas têm a me oferecer e investir nos possíveis desdobramentos do que fazemos hoje. Tenho uma qualidade que às vezes me frustra: pra mim nada é impossível. Com esforço e atenção se consegue qualquer coisa. Como diria meu poeta preferido, Mário Quintana: “Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...Que tristes os caminhos, se não fora...A presença distante das estrelas!” Fonte: Meio e Mensagem - Especial de Minas Gerais |

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